imaginrio eixo


Tuesday, June 10, 2014
o susto

a vida é um susto
conferi na esquina
no mais é suceder.

álbum de retrato
vira posteridade.

no mais é suceder.

Posted at 07:53 am by estherlb
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outra margem do rio

outra margem do rio
caminho diferente
faces espelham água
ondas escrevem letras

lá na margem enigmas
depuradas emoções
pessoas nunca dantes
inauguram cartilhas

outra margem do rio
razão e volúpia
seda sobre corpo nu
mar largado na praia

lugar não caminhado
do aprendiz a letra
desconhece o olhar
do imaginado ponto

Posted at 07:51 am by estherlb
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a mulher que anda comigo


a mulher que anda comigo
Líria Porto, pariu filhos,
deitou com machos e fêmeas
mas eu mal a conheço.
não respira o mesmo compasso
da sombra na qual a vejo;
também usa meu nome e corpo
e dela não guardo certezas
sei que é louca, ousada, fria.
não ama meus amores
pois a razão a contagia;
usa qualquer endereço
mas dá o meu como guia.
nem é mulher da minha vida
só pela voz a reconheço
ama como eu meus amigos
só isto .nasceu e morrerá comigo
a tenho por companheira.

Posted at 07:42 am by estherlb
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a fera

menina, cuidado com a fera
que corrompe toda donzela
abandonada na catarineta
em meio às tristes procelas

qualquer luz nas noites
de tormentas é um farol.
santelmo ronda arrecifes
atraíndo astros como o sol.

menina, pegue seu leme
e fuja destes susurros
whispers na carne da noite

deflorar almas é seu intento
e por mais que amor sinta
e amor seja seu alimento

poderá te deixar à deriva
a qualquer momento. esquiva,
foge de banda.é fera bandida!

Posted at 07:38 am by estherlb
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desconcerto

frio o gelo
que em mim
me fere.fria
a lâmina maluca.

desfere pontual
como um grito
a chaga. meio litro
de sangue em cada

perplexa ferida
de outono invernal,
estiolado cava
na carne um gemido

correm rios lentos
florestas apascentam
mugem vacas na tarde
cocoricam as galinhas

um fiapo a vida assim
nenhum desconcerto.
mas a ferida, ah,
lateja.veio a despedida.

frio o gelo
fere a faca
que em mim
corta agudo.

a ferida olha
não entende
cala. lava o
peso do mundo.






Posted at 07:31 am by estherlb
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licença poética

A canção de lá é onde
os poetas se cabem
ou se confundem

são desafinados
assunto de vadios
mas ousam supor que

licença poética é não
saber pontuar e usar
emoções e dores

se o poeta é frágil
tem o poder da imagem
na ponta da língua

não convive com o real
se embaralha , só cria a vida
onde transita e ignora

do conviver o básico.
elege o puro e simples
sem saber se agora é agora.

para salvar poetas
necessita entender
seu ponto final.



Posted at 07:24 am by estherlb
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Monday, March 31, 2014
Florão d´América

a mulher embala embala seu menino morto; seu corpo o aquece ele até fala: mãe, meu sangue é ralo pouco e roto a mãe quase grita: cala! sustenta o último sopro meus braços são quentes e embalam embalam. mãe, diz o menino, me enterra, estou morto. a mãe sufoca o grito o rosto é magro seco já não há pranto mãe, descansa, pede o menino me tira do teu peito segue outro destino vai parir outro filho que não existo mais a mãe hesita teimosa solene arfante embala embala o filho morto embala e não sofre mais e de tanto proteger a sua cria a mãe esquece o rosto os braços as pernas e vai supondo que está vivo seu menino aguarda dele a promessa de um destino que quando vivo lhe augurou o pai. costurou-lhe dozouto roupas cada qual mais altaneira o quero impávido, colosso! e o tempo foi-se a passar minguou o corpo do menino morto as roupas restaram inteiras com elas, as dezouto, costurou uma bandeira a na cumeeira da casa a desfraldou no ar. tremula á noite ela tem as aves no telhado com quem falar. as aves quedam mudas. são aves e a seu modo cada uma resume o seu cismar um sapo ri no brejo não acredita que aves sóbrias conversem com um pano sujo roto desbotado do telhado a coruja solene no oco do caminho repete eu falei eu falei que o menino não iria vingar o bacurau transido de frio avisa e os olhos arregala tem morto na sala mãe, perguntou com voz fraca o menino morto. sou um travesti da lapa? criança você será de tudo um pouco ninguém verá menino como esse porque você tem fé e orgulho do ventre onde nasceu o menino morto pensa medita pasmado com seu destino mesmo morto terá de existir ainda? mãe, tenho por acaso algum destino? - porque você nasceu em berço esplêndido, apesar de não poder perceber aqui, neste lugar humilde, antes de existir já lhe traçaram a vida não fui eu gostaria que você fosse o meu menino para vigiar sempre e cobri¬-lo em seu sono mas cedo ainda o arrancaram de meu ventre afirmaram: pasmem! não é ilha, é continente, tão rico, tão fértil, tão promisso tragam venham surjam de portugal as suas gentes de outras terras mais e mais acaba de ser descoberto o promissor e eu o perdi filho, que um dia gerei e eu o perdi filho, que um dia chorei e meu pranto foi tão forte tão fecundo que criou os rios que há no mundo os mares que por aí se vão. hoje não choro mais sequei mas filho cumpre sua missão! o filho morto os olhos de susto arregala como morto posso cumprir sinas? e engatinha se arrastando inventa seu caminho pensando que direciona seu destino caminha em cí¬rculos girando o próprio corpo aflito ao tropeçar no seu sentido atento à comandos vãos.

Posted at 09:48 pm by estherlb
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Tuesday, December 02, 2008
nada









� este desvio da solução

que causa a confusão. sabe?
diga o que tem a dizer
seja  quem for a ouvir

mas neste momento de suposta
presença h� o burburinho
de vozes e razões e documentos
embora amarelos sentimentos

sacou? e nenhum , nenhum mesmo
fala daquela tarde .havia sol,
nem reparava, pensava no farol
que de quando em quando acendia

seu raio na direção do mar
e nenhum navio ansiava a vinda
percebeu que havia um espaço
entre a ida e o regresso, e nada


nada absolutamente nada , nada















Posted at 03:22 pm by estherlb
 




Sunday, November 16, 2008
sempre h tempo





e as cores da casa ,
 
   o senhor sentado frente a elas,
 
as janelas cegas,       
cansadas de olhar,

o musgo verde cor de musgo
 
   e as rachaduras com que o tempo enrugou a calada...
 
sempre h .







Posted at 09:37 pm by estherlb
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Friday, May 30, 2008
sinistra palavra



esther lucio bittencourt


um olho s na cara.
dois olhos. seguros;
ao ver a cena muda
certo dar-lhe fala.

sinistro som palavra
sem cor soa na sala.
paredes curvam-se,
gemem, a porta cala.

e mesa h repasto
de farinha, leite, mel,
a mosca rumina lenta
seu argumento final

o trem viola a toalha
posta como linho frio
cheiros, gritos, metal.
e vozes , o som cruel.

um olho s na cara no
rosto de pergaminho.
ao ver a cena muda
criou enfim assunto.

Posted at 12:01 am by estherlb
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rio como o rio.

o presente
futuro
e rio como o rio

marulhando.
o grito dele
vaza o vir

inventou estrelas
desenhou barrancas
pressentiu o sal

mas rio
rio como rio
sempre de passagem.








 




 
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