Tuesday, December 02, 2008
� este desvio da solu��o
que causa a confus�o. sabe?
diga o que tem a dizer
seja quem for a ouvir
mas neste momento de suposta
presen�a h� o burburinho
de vozes e raz�es e documentos
embora amarelos sentimentos
sacou? e nenhum , nenhum mesmo
fala daquela tarde .havia sol,
nem reparava, pensava no farol
que de quando em quando acendia
seu raio na dire��o do mar
e nenhum navio ansiava a vinda
percebeu que havia um espasso
entre a ida e o regresso, e nada
nada absolutamente nada , nada
Posted at 03:22 pm by estherlb
Sunday, November 16, 2008
e as cores da casa ,
o senhor sentado frente a elas,
as janelas cegas,
cansadas de olhar,
o musgo verde cor de musgo
e as rachaduras com que o tempo enrugou a calçada...
sempre há .
Posted at 09:37 pm by estherlb
Friday, May 30, 2008
esther lucio bittencourt
um olho só na cara.
dois olhos. seguros;
ao ver a cena muda
é certo dar-lhe fala.
sinistro som palavra
sem cor soa na sala.
paredes curvam-se,
gemem, a porta cala.
e à mesa há repasto
de farinha, leite, mel,
a mosca rumina lenta
seu argumento final
o trem viola a toalha
posta como linho frio
cheiros, gritos, metal.
e vozes , o som cruel.
um olho só na cara no
rosto de pergaminho.
ao ver a cena muda
criou enfim assunto.
Posted at 12:01 am by estherlb
Friday, April 11, 2008
o raio rompe o dia
esclarece-o. a mata
medita aos passos
no caminho. um som:
e,
nasce na paisagem.
palavras em desalinho .
na suavidade
inscrito está
o suor do bafo.
e,
o tato soletra a hora.
passo por passo.
Posted at 07:21 pm by estherlb
Friday, March 28, 2008
esta letra molhada
que escorre dos lábios
saiba amigo, é a idade.
as pernas turvadas
de estrias e veias marcadas
é a idade, amiga, idade.
o corpo mais gordo
a cintura desmarcada
a ruga que contorna na boca os lados
em tempos um olhar baço.
e as palavras, amigo,
fogem com cuidado da memória
63 anos. até aqui cheguei
cavalgando por matagais
ou acerelando o carro em vicinais
aqui chaguei. houve um momento plano?
não. fiz da vida ladeiras de subida.
as da descida, amiga, é para a hora plena.
as da descida.
Posted at 09:39 pm by estherlb
Saturday, August 11, 2007

havia uma pedra no caminho
alertou drummond, como poeta.
e do calhau colheu versos duros
da semente em terra de pedra.
hoje há poesia no caminho. fácil
de colher e de plantar inversos
da pedreira antiga, morros de itabira.
espinhos hoje é plantar versos.
pois digo, há uma roseira brava
no caminho. sem flor ou perfume.
só pontas que rasgam a carne
para regar a terra e adubar poetas.
Posted at 01:45 pm by estherlb
Thursday, December 28, 2006

todas as tardes caem
bêbadas de sono e calor
sobre as janelas. uma pausa:
silêncio para compor a noite.
no boteco da esquina
o cheiro de cefé requentado
fere as narinas
sobe pelas janelas, inunda a sala.
as tardes caem com cheiro
de folhas pisadas, os olhos tardam
nas lembranças, ou sei lá¡ por onde andam.
é preciso laçá-los para dentro de casa.
ah! este sentimento de compor a noite
no silêncio que o barulho faz
no asfalto quente do verão
e na freada ali da esquina. é. é o planeta.
Posted at 09:10 pm by estherlb
Saturday, June 17, 2006
porque existe saudade há parca e claridade. então preserva o poema porque acena a indigente a falta é tão evidente que é invisível a frase. em tudo a dor reverbera no azul frio de inverno o verso ganha o reverso como rosto exposto à praga as letras apenas esmagam cada sinal, só sintagma de vansaudades o vazio acorrenta o mar nos olhos e montanhas de desafio. e nas mãos desabotoadas súmulas e aluviões de rios ardem como pavios.e ardem.
Posted at 01:58 am by estherlb
Sunday, December 18, 2005

trago na memória dados
tragados e perdidos lagos
repare, bárbara,
desencontros costuram cismas
de ambos os lados.
trazes na lembrança faltas
anseios e metais em riste
repare, bárbara,
é sina demasiada árdua
de ambos os lados.
conforme a perspectiva
descobrir que o lado
é o possível imaginado
e nunca o alinhavado
não há ambos, apenas lado.
um. e o olhar, bárbara,
é o traidor deslavado.
finge, negaceia,
mas se entrega em palavras
as não ditas. pensadas.
em síntese é assunto acabado,
quando a memória é evocada.
Posted at 01:29 am by estherlb
Tuesday, November 29, 2005
caso um dia,
qualquer hora,
talvez por
inquietude
ou por paisagem
parada no ar,
quando nem brisa
pio de pássaro,grilo,
nem o desabrido
vermelho da rosa
antes do definhar
ou estio, longo estio,
movimenta a linha.
caso um dia,
não é promessa,
é o som falar o grito!
Posted at 04:39 pm by estherlb