imaginário eixo


Sunday, November 27, 2005
renascer








companhia dos objetos familiares
a luz acesa na varanda, a chuva,
acreditar é sempre cair de quatro
aprenda a lição: palavra não é ato.

e se alguma coisa fala o contrário
do exibido. creia, não é paranóia
mas sexto sentido. vem de dentro,
o que você prefere não ter visto,

nem saber. é noite. a chuva esfria.
esfria tudo. ainda que não perceba
pois é cedo,o dia do dia ainda vem,
alguma em você renasceu e como sabe.

a exata medida dos seus passos
o desejado abraço calmo de você
para você. um encontro pessoal,
intransferível,crucial: o renascer .




Posted at 12:03 am by estherlb
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Tuesday, November 01, 2005
e...





















Posted at 08:26 pm by estherlb
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Saturday, October 15, 2005
o pato - da série cotiano



o pato


meio da noite
a chuva respinga a varanda.

no quintal, entre os bambus,
o pato gala a pata.

em cima dela,
das penas escorrega,
o rabo acode o equilíbrio.

enfim com o bico
seguro no pescoço dela
tomba para o lado.

e o membro em sacarrolha
pensa um ovo amarelo.

a pata se afasta
sacode as penas
amealha asas
arrastando o pato
preso pelo pênis a ela.

lembro da galinha e do galo
com eles sai parecido
tudo é como se fosse nada
tão aflitivo!




Posted at 07:51 pm by estherlb
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Monday, September 12, 2005
o vento para a roupa no varal de adelaide amorim





"a roupa no varal entrega ao vento
a desbragada candura dos botões
a há uma canção de luz em andamento"


adelaide amorim
..........



sem ardor, o que a ativa é o vento.
este sim, tem sentimento. e se agita
o varal é que tingir de cores e vida
a cada roupa exposta é seu intento.

baila leviana ao sol, amolecida, a peça.
afinal é roupa.seus botões fora das casas
a exibem nua .indolente em hábitos
agoniza gozos e luxúrias nas abertas abas.

quem a colhe nos finais da tarde,
flores mortas em braços cansados,
mal sabe como de amor gemeu a cada brisa.

indolente, após recriada à ferro quente,
cai com abandono sobre o corpo. verte a si.
poser, dança presumida seu alanguir.






Posted at 10:57 pm by estherlb
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Tuesday, September 06, 2005
parir




estudar a palavra.
ato primeiro.
esgrimar com ela
supor que a submeteu

domínio das visões,
segundo. em construção
compor frases, sonâncias
incorporar dissonâncias

acreditar que venceu,
terceiro. olhar a letra
solta, vagabunda. sinal
de domínio da matéria.

enfim, esquecer,
ato final.perplexo,
desmemoriado,vago
nasce o poema.

berra. órfão.
quando inletra,
se infrase,
incerto.






Posted at 03:44 pm by estherlb
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Thursday, September 01, 2005
fixo








o nada a dizer
a voz interrompida
sons truncados

e um súbito pingo
de água na torneira
de carrepeta frouxa

na cuba de inox
da cozinha onde
ponteia o café coado.










Posted at 06:59 pm by estherlb
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Saturday, August 13, 2005
fixo em mim









a égua apara a grama
as nuvens  estão a vir
vejo aqui da varanda

foto esta mais estranha
traz sentimento de mundo
cavado em minhas entranhas.


Posted at 05:13 pm by estherlb
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Sunday, July 24, 2005
se fosse, sesse









se fosse de são tomé
todos os caminhos
e folhagem invadindo
o rio, que navega a casa

no céu de nuvens poucas
sempre um abrigo. ah,
se existisse este lugar
fora da imagem,da perspectiva

e os pés colhessem mansos
sempre leves os macios
da calma cotidiana cosida.
ah,se fosse assim a vida!






Posted at 08:37 pm by estherlb
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Wednesday, July 20, 2005
meu amigos




meus amigos são poetas.
caminham na ponta dos dedos,
engolem parafusos
e passeiam por nossa pele

com o fio que lhes sustenta.
saltam sem rede. de olhar profundo
miram a vida e o outro mundo.
atravessam a sede e são fecundos.

meus amigos são acróbatas
perpicazes, perfuram a alma,
lançam facas, atiram flores
meus amigos , manoel carlos

adelaide, silvia shueire,
marcia maia, nel meireles,
a menina dhu, li stoducto,
ah, como os tenho dentro de mim

meus amigos até combinam
que um dia, numa esquina
de alguma vida qualquer,
como na música do chico,

e traremos a mariza, o ilídio
tanta gente, numa tarde de janeiro
depois de um dia bem quente
conversaremos à toa, tomaremos picolé.

inventaremos garoa,
coçaremos bicho de pé
e de política e arte
esqueceremos, até!




Posted at 10:17 pm by estherlb
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Monday, July 18, 2005
I










no tempo hoje o tempo
ontem o termo o pingo
exato da areia
deserto medir o incerto
amanhã é êrmo
sopra e varre a
nossa a vela . é hera.











Posted at 08:36 pm by estherlb
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rio como o rio.

o presente
é futuro
e rio como o rio

marulhando.
o grito dele
vaza o virá

inventou estrelas
desenhou barrancas
pressentiu o sal

mas é rio
rio como rio
sempre de passagem.








 




 
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