Entry: saudade Saturday, June 17, 2006






porque existe saudade

há parca e claridade.
então preserva o poema

porque acena a indigente
a falta é tão evidente
que é invisível a frase.

em tudo a dor reverbera
no azul frio de inverno
o verso ganha o reverso

como rosto exposto à praga
as letras apenas esmagam
cada sinal, só sintagma

de vansaudades o vazio
acorrenta o mar nos olhos
e montanhas de desafio.

e nas mãos desabotoadas
súmulas e aluviões de rios
ardem como pavios.e ardem.



   1 comments

Manoel Carlos
December 26, 2006   07:17 AM PST
 
<b>Natal sem sinos</b> - <i>Manuel Bandeira</i>

No pátio a noite é sem silêncio
E que é a noite sem o silêncio?
A noite é sem silêncio e no entanto onde os sinos
Do meu Natal sem sinos?

Ah meninos sinos
De quando eu menino!

Sinos da Boa Vista e de Santo Antônio.
Sinos do Poço, do Monteiro e da Igrejinha de Boa Viagem.

Outros sinos
Sinos
Quantos sinos!

No noturno pátio
Sem silêncio, ó sinos
De quando eu menino.
Bimbalhai meninos.
Pelos sinos
De quando eu menino,
Pelos sinos (sinos
Que não ouço), os sinos de
Santa Luzia.

Rio, 1952

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